OPINIÃO

Cada vez falamos menos!


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Vivemos na era da comunicação e da falta de tempo. Nunca enviamos tantas mensagens,

 áudios, vídeos, emojis e curtidas para facilitar nossas vidas. Estamos conectados o tempo inteiro e sem tempo o tempo todo. Mas uma pesquisa recente trouxe um dado curioso e preocupante: estamos falando cada vez menos.

Pesquisadores analisaram dados de mais de 2 mil pessoas e observaram que, entre 2005 e 2019, a quantidade de palavras faladas diariamente caiu cerca de 28%. A redução foi ainda mais acentuada entre os jovens. 

Mas talvez a pergunta mais importante não seja quantas palavras deixamos de

 falar, mas o que estamos perdendo quando deixamos de conversar? Conversar é muito mais do que transmitir informação. É olhar nos olhos, interpretar expressões, ouvir o tom de voz, rir junto, discordar, elaborar sentimentos, desabafar, dividir, contar histórias e sentir que alguém realmente nos escutou. E tudo isso também é saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vem chamando atenção para a importância

 da conexão social como componente fundamental do bem-estar. Aproximadamente uma em cada seis pessoas no mundo relata solidão, condição associada a maior ocorrência de ansiedade e depressão, além de repercussões importantes sobre a saúde física. 

Talvez exista aqui um paradoxo do nosso tempo: temos cada vez mais meios para nos comunicar e cada vez menos oportunidades de realmente nos encontrar. Não é estranho?

Pedimos comida pelo aplicativo sem falar com ninguém. Compramos sem entrar em uma loja. Trabalhamos por mensagens. Mandamos um “parabéns” automático. Respondemos com um emoji. Muitas pequenas conversas que faziam parte do cotidiano simplesmente desapareceram. Vocês já conversaram com um adolescente pelo whatsapp? A resposta não tem nem mesmo uma palavra completa, uma frase inteira, então, é raridade. Sim é "S", não é "N", e assim vai.

A tecnologia facilitou nossa vida. Mas o problema começa quando a eficiência elimina também aquilo que parecia banal, mas alimentava nossos vínculos. Quando deixamos de conversar, perdemos vínculos! E isso merece muita atenção, principalmente quando falamos de saúde mental.

O ser humano precisa de pertencimento. Precisa sentir-se visto, ouvido e reconhecido.

 Uma conversa não resolve uma depressão nem substitui acompanhamento profissional quando necessário, mas relações significativas fazem parte de uma vida mentalmente saudável.

Talvez cuidar da saúde também seja recuperar pequenos hábitos: conversar durante uma refeição sem o celular na mesa, telefonar em vez de apenas mandar uma mensagem, cumprimentar quem encontramos pelo caminho, ouvir sem pressa, reunir amigos e família, sair com um amigo para um café. Precisamos colocar o social na nossa rotina.

A própria OMS reconhece a conexão social como uma questão de saúde pública. A solidão e o isolamento estão associados não apenas à depressão e à ansiedade, mas também a problemas cardiovasculares, declínio cognitivo e maior risco de morte precoce. E é justamente por isso que precisamos olhar para esse tema com mais atenção. Como ajudar as futuras gerações e organizar a nossa?

Falamos muito sobre exercício, alimentação e sono quando pensamos em longevidade.

 Talvez precisemos acrescentar mais um elemento a essa lista: a conexão humana.

Porque algumas das melhores coisas que podemos fazer pela nossa saúde não estão em uma farmácia, em um suplemento ou em uma tela. Às vezes, começam simplesmente com uma pergunta: “Como você está?” E, principalmente, com tempo e presença suficientes para ouvir a resposta e começar uma conversa. Muita saúde a todos.

 

Liciana Rossi é especialista em coluna e treinamento corretivo. Pioneira do método ELDOA no Brasil

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